Outside The Wall
All alone, or in twos
The ones who really love you
Walk up and down outside the wall
Some hand in hand
Some gathering together in bands
The bleeding hearts and the artists
Make their stand
And when they've given you their all
Some stagger and fall after all it's not easyBanging your heart against some mad buggers
In the Wall"
Pink Floyd
Bem... o Rubem Alves é de Boa Esperança. É um dos colunistas / escritores mais queridos de nossa atualidade. Ainda não conheci nenhum colunista / escritor que tenha dito palavras tão lindas a respeito da Amizade.
Gostaria de lhe copiar esse texto pelas mãos, mas não sei se minhas letras seriam adequadamente lidas (a partir de quando começamos a 'mexer' com computador...) pois minhas letras manuais ficaram horríveis...
Só quero que saibas que És parte do que me fez me tornar muito forte. E a simples lembrança de sua presença entre nós, continuará a me fazer mais forte ainda. Tenho que acreditar nisso, independente da sua presença, pela simples lembrança de com quem estive tão próximo!
Você é uma Querida, Ana Paola! Tenhas certeza disso. Você fez e, por quem Você é, continuará a fazer a diferença, ao continuar ser tão 'Querida".
Fica com Deus. Sempre. Que Ele Te abençoe sempre, e a todos aqueles que lhe são caros.
Sentirei muito, muito mesmo, sua ausência.
Até breve.
Ota.
A Amizade
Rubem Alves (brevemente adaptado)
Lembrei-me dela e senti saudades... tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma intensidade incomum da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e ficam meio tristes quando não temos uma amiga com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que fazemos na vida pode se resumir nisto: a busca de uma amiga, uma luta contra a solidão.
Lembrei-me de um trecho de Jean Cristophe, que li quando era jovem e, do qual nunca esqueci. Romain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói de adolescente. Já conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era diferente de tudo o que já sentira antes.
O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira.
A experiência de amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Uma amiga é alguém com quem estivemos desde sempre. Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro.
Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava “tenho um amigo, tenho um amigo!” Nada via, nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono, mas não adormeceu logo, apenas deitou-se. Durante a noite foi acordado duas ou três vezes, como que por uma idéia fixa. Repetia para si mesmo: “Tenho uma amiga” e tornava a adormecer.
Jean Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa em cuja companhia não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantas amigas você tem. Se o silêncio entre vocês dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge você se põe a procurar palavras para encher o vazio e manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga. Porque uma amiga é alguém cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos, seja bater papo, comer, jogar ou negociar. Até que tudo isso pode acontecer, mas a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga, terminado o alegre e animado programa vêm o silêncio e o vazio – que são insuportáveis.
Neste momento o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com ansiedade. Com a amiga é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro. Amiga é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.
Uma história oriental conta de uma árvore solitária que se via do alto da montanha. Não tinha sido sempre assim. Em tempos passados a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias, que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores as deixaram lá. Depois vieram os caçadores de essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum foi desprezada e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob sua sombra e descansam.
Uma amiga é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas não é isso que a torna uma amiga. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão.
Diante da amiga sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.
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