Cada povo tem o governo que merece. "O melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com um cidadão comum." Churchill.
Do mestre Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à Folha, publicada hoje. Folha de São Paulo, terça feira, 2 de Novembro de 2010, Especial 7. Concordo com ele não só nesse pequeno trecho da entrevista abaixo, mas em tudo que lá está disposto.
Eu, honestamente, fiquei com vergonha de ser brasileiro. Eu estudei Organização Social e Política Brasileira, também chamada Moral e Cívica - abolida do currículo escolar. Eu fiquei em fila, de pé, frente à Bandeira Nacional e cantei o Hino Nacional Brasileiro inúmeras vezes, desde que me entendo por gente. Eu ainda fico em posição de sentido (decentemente), ao escutar aquele Hino. E me direciono para aquela Bandeira, ao ouví-Lo. E por ser Funcionário Público, não são poucas as ocasiões.
Neste Dia de Finados, orei por meus antepassados junto a seus restos mortais. Todos honrados e merecedores. Meu Avô participou da construção de Brasília... meu Pai cruzou este país de norte a sul, leste a oeste. Orei também pela minha Esperança de que os Princípios mais básicos relacionados à Moral, não existem mais nesta boa terra, 'onde se plantando, tudo dá'. Esses Princípios foram enterrados no último dia 31 de Outubro de 2010.
"A privatização das teles foi bom para o povo, para o Tesouro e para o país. Porque não defender? Privatizar não é entregar o país ao adversário, pegar o dinheiro do povo e jogar fora. Não. É valorizar o dinheiro do país."
"Folha: O sr. vê sinais do que chama, em um de seus livros recentes, de espírito da democracia no processo eleitoral que se encerrou?
Francamente não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Do ponto de vista da cultura política, regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional - a eleição foi limpa. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.
Houve abuso do poder político, que tem sempre um componente de poder econômico. Quantos prefeitos foram cassados aqui em São Paulo, por exemplo em Mauá, por abuso do poder econômico? Por nada, comparado com esse abuso a que assistimos agora. Não posso dizer que houve progresso da cultura democrática do país.
Aqui ocorre outra confusão: pensar que democracia é simplesmente fazer com que as condições de vida melhorem. Ela é também, mas não se esqueça que ditaduras fazem isso mais depressa."
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